Você educa seu filho e sua filha com os mesmos valores? - Studio Pipoca

Você educa seu filho e sua filha com os mesmos valores?

Entenda melhor como as práticas introduzidas na infância podem promover uma educação com menos estereótipos e desigualdades.
Conheça 5 brechós infantis em São Paulo Lendo Você educa seu filho e sua filha com os mesmos valores? 7 minuto

A humanidade evoluiu e hoje reconhecemos que, independente de gênero, todos têm os mesmos direitos. No entanto, infelizmente, na prática, não é exatamente assim que acontece e as mulheres continuam em desvantagem na sociedade. Para mudar esse cenário, podemos e devemos criar nossos filhos para que eles cresçam livres de estereótipos e não se vejam limitados pelo seu gênero. 

Durante os primeiros anos de vida, é essencial transmitir às crianças a noção de que meninos e meninas têm os mesmos direitos e oportunidades. Ao trabalhar temas como esse dentro do ambiente familiar, estamos estimulando as crianças a crescerem com uma mentalidade aberta, respeitosa e livre de preconceitos.

Por que falar de igualdade de gênero na infância?

Já na infância, entramos em contato com uma lista de tarefas e predileções construídas socialmente como “coisas de menina” e “coisas de meninos”. Com base nisso, os meninos gostam de azul, carrinhos e futebol. Já as meninas gostam de rosa, bonecas e precisam ser comportadas. Enquanto os meninos são educados para serem bons líderes, independentes e bem-sucedidos, as meninas são educadas com a maior aspiração de suas vidas sendo o casamento e a maternidade. 

Como consequência dessa educação desigual, os meninos crescem e se tornam homens que acreditam ter mais poder do que as mulheres, inclusive sobre elas mesmas. Diante disso, é visível que, na maioria das sociedades, os homens têm grandes vantagens em relação às mulheres. Para romper essas barreiras e criar uma base sólida de valores igualitários, a educação é fundamental.

Construir um mundo com menos estereótipos e desigualdades de gênero traz benefícios tanto sociais quanto econômicos. De acordo com o levantamento divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), reduzir a desigualdade de gênero beneficiaria as mulheres, a sociedade e a economia. A taxa de emprego aumentaria e isso resultaria em um aumento de mais de vinte milhões de dólares no PIB mundial. Os salários seriam iguais, assim como as oportunidades acadêmicas também.

Ao contrário do que se pensa, essas diferenciações são socialmente e historicamente construídas, a partir de padrões normativos do que é ser homem e o que é ser mulher. Por isso, a igualdade entre os gêneros é um tema que deve ser trabalhado na infância, momento em que os conceitos são formados e internalizados. 

A seguir, algumas dicas para começar a introduzir este assunto dentro de casa:

  • Misture os brinquedos
  • Não diferenciar brinquedos e brincadeiras de meninos e de meninas é uma ferramenta muito importante quando se fala em educação de gênero. Alguns brinquedos tradicionalmente direcionados às meninas tendem a estimular a sociabilidade e cuidado com o outro, ao mesmo tempo em que os brinquedos direcionados aos meninos tendem a desenvolver mais a imaginação.

    Assim como o meio familiar, a mídia e as escolas também exercem forte influência na formação de personalidade do indivíduo e podem contribuir para o desenvolvimento de comportamentos estereotipados. O brincar é uma importante forma de comunicação, possibilitando o processo de aprendizagem da criança e, por isso, ao limitar as possibilidades de brinquedos pelo gênero, você está limitando as formas de conhecer e vivenciar o mundo, determinando o que a criança deve ser, o que deve pensar e como deve agir no futuro.

    Neste sentido, é muito importante assegurar que sua filha também tenha carrinhos e permitir que os meninos brinquem com as bonecas em casa e na escola. Todas as crianças, independente do sexo, têm o direito de aprender sobre qualquer assunto, meninos podem brincar de carrinho e salvar o mundo, assim como as meninas também podem.

  • Divida as tarefas domésticas
  • De acordo com o IBGE, as mulheres dedicam em média 10,4 horas por semana a mais que os homens aos afazeres domésticos ou ao cuidado de pessoas. Neste sentido, dividir o trabalho doméstico igualmente dentro de casa, pode redefinir os padrões de comportamento para as próximas gerações.

    Procure incentivar desde cedo que tarefas domésticas também são responsabilidades do homem. Muitas vezes escutamos que as meninas preferem brincar de bonecas, mas isso é um reflexo do que elas entendem como uma brincadeira que representa o papel da mãe. De acordo com um estudo realizado na Universidade Católica de São Paulo, a criança aprende observando os pais e outros modelos que estão próximos, ou seja, elas absorvem e reproduzem determinados padrões de comportamentos que vivenciam dentro de casa e na escola. 

    Com isso, a imitação se coloca como fonte de aprendizagem e a criança reconhece certos comportamentos como "masculinos", e outros como "femininos". Por isso é tão importante mostrar, por meio de atitudes, que todo mundo deve fazer sua parte nas tarefas de casa. Se apenas a mulher fica encarregada de fazer os trabalhos domésticos e cuidar dos filhos, as meninas tendem a preferir brincar de “casinha”, por exemplo, pois é a brincadeira que representa o papel feminino.

  • Fale sobre a importância de externar as emoções
  • Mesmo sendo mais difícil de identificar e, principalmente, lidar com isso, as crianças também se sentem tristes e magoadas. É importante mostrar às crianças que elas podem externar suas emoções e que não há sentimentos exclusivos de menino ou de menina.

    Os pequenos tendem a ser mais gentis e empáticos que os adultos, mas, por muito tempo, os meninos foram incentivados a reprimir seus sentimentos. Nossos pais e avós aprenderam, desde cedo, que “homem não chora” porque expressar as emoções era visto como sinônimo de fraqueza. 

    Ensinar seu filho sobre suas emoções e como lidar com elas o tornará mentalmente mais forte. Uma boa maneira de fazer isso é encorajar meninos a desenvolver sua sensibilidade e afetividade, mostrando a eles que está tudo bem chorar, mesmo que algum outro membro da família pense o contrário.

  • Converse abertamente com as crianças
  • Por mais que o ambiente dentro de casa seja livre de estereótipos de gênero, a mídia atua como fonte de exposição a comportamentos, conteúdos e ideias. Segundo uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, crianças de quatro anos expostas à televisão por mais de três a quatro horas por dia sem mediação, tinham duas vezes mais chances de afirmar que meninos são melhores do que as meninas. 

    Embora a quantidade de conteúdos sobre esse tema esteja aumentando, muitos programas infantis ainda se restringem a histórias com protagonismo masculino e que não espelham a diversidade. A recomendação dos especialistas é para que os pais assistam aos programas junto dos filhos e conversem sobre estereótipos. Isso também contribui para que as crianças desenvolvam a habilidade de criticar e questionar as mensagens que estão sendo transmitidas pela mídia.

    A ONG Plan International Brasil, uma organização humanitária e de desenvolvimento não governamental, fez um vídeo didático com o uso de animações para explicar a importância da educação de gênero e desconstrução de estereótipos:

    O desafio da igualdade é um desafio para todas as pessoas. Para ensinar igualdade de gênero às crianças é preciso refletir sobre os hábitos e comportamentos do cotidiano que são naturalizados e, muitas vezes, reforçam a desigualdade.

    Ao ensinar valores de igualdade desde cedo, estamos capacitando as gerações futuras a quebrarem barreiras, superar desigualdades e criarem um futuro onde todos tenham oportunidades iguais, independentemente do gênero. Juntos, podemos construir um mundo melhor e justo para todos.


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