O Slow Fashion no Brasil

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Novas formas de consumo exigem novas formas de produção. Essa é uma realidade que também vale para o mercado da moda. Após quase três décadas de ascensão do fast fashion e sua moda globalizada, produzida em profusão e sem preocupação com seus impactos socioambientais, é tempo de mudar. Ao menos é o que indica a recente queda de grandes marcas desse mercado.

O slow fashion é hoje a próxima grande tendência do mundo da moda, após anos amadurecendo e conquistando o seu espaço. O termo surgiu pela primeira vez em 2004, com Angela Murrils, escritora de moda para revistas on-line, inspirada pelo movimento de slow food da década anterior. O slow fashion, porém, ganha corpo e estrutura como conceito quatro anos depois, em 2008, graças ao trabalho de Kate Fletcher, professora de design sustentável do Center for Susteinable Fashion, da London Fashion College, Reino Unido. Kate define e lança as diretrizes dessa nova forma de pensar e produzir roupas e acessórios, e se torna uma das maiores referências mundiais da moda sustentável.

Mas afinal, o que é slow fashion e por que ele é importante?

Com toda certeza você já sabe que estamos vivendo em um momento crucial da história da humanidade. As mudanças climáticas e a degradação do meio ambiente vêm cobrando seu preço, o que apenas irá aumentar nos próximos anos se nada for feito agora. E isso significa a necessidade de repensar nossos hábitos e como nos relacionamos com o planeta, o próximo e nós mesmos. Nesses hábitos que precisam ser repensados está incluso o consumo. Incluso apenas não, o consumo é “O” hábito a ser modificado.

É impossível deixarmos de consumir. O que não quer dizer que é impossível pensarmos em outros modelos e meios de consumo, pelo contrário: Não só é possível como é urgente! Eis a importância do slow fashion.

A moda é uma indústria que movimenta globalmente cifras bilionárias, gera milhões de empregos e influencia diretamente comportamento e cultura. Só que essa indústria possui um lado que passa bem longe do glamour e beleza das passarelas. É comum surgirem denuncias de confecções utilizam trabalho semiescravo – quando não escravo – para produzir suas peças.

Além disso, a indústria da moda está entre os setores de maior impacto ambiental, sendo responsável por 10% das emissões totais de CO2 no planeta e ocupando a terceira posição no ranking de consumo de água.

Isso sem falar nos resíduos, oriundos tanto da produção, quanto do curto ciclo de vida dos produtos, do uso de materiais sintéticos, etc. É preciso mudar! É preciso ser sustentável e agregar valor não apenas ao produto, mas também as pessoas envolvidas no processo.

Para compreender melhor o slow fashion, separei abaixo os princípios norteadores desse mercado que a cada dia conquista mais espaço!

Os princípios do slow fashion

1. Valorização dos recursos locais;

2. Sistema de produção transparente;

3. Menos intermediação entre produtor e consumidor;

4. Produtos sustentáveis e sensoriais (com ciclo de vida mais longo);

5. Oposição a cultura do “novo”;

6. Aspectos integrais e não apenas aparência;

7. Moda é escolha, não imposição;

8. Atuação colaborativa;

9. Criação socialmente responsável e distribuição econômica.

Quando olhamos esses 9 princípios parece que a base do slow fashion é o bom senso, não é mesmo? E não deixa de ser! Afinal, tomar atitudes que contribuam para a construção de um mundo melhor deveria ser o mínimo envolvido em todas as nossas escolhas. O mundo é nossa casa, é onde vivemos. Eu quero viver em um lugar bom, e você?

E se você acha que a moda consciente é “coisa de gringo”, que “é muito legal, mas no Brasil...”, deixa de lado esse pensamento que só faz mal. Em terras tupiniquins o mercado do slow fashion também vem crescendo, com novas marcas e consumidores!

Slow Fashion: a moda sustentável no Brasil

Antes de tudo quero já pedir desculpas para todas marcas slow fashion brasileiras faltando por aqui. São muitas pessoas realizando trabalhos incríveis! Dito isso, confira, conheça e valorize o trabalho das marcas que abraçaram a moda sustentável no Brasil! Conheça o trabalho de algumas marcas:

Mudha:

Cria de 2 duas amigas do Rio Grande do Sul, a Mudha é uma marca de moda sustentável que começou sua trajetória em 2016. A marca tem o slow fashion como um de seus princípios, junto com a valorização da produção local, da produção justa, o impacto social positivo, o veganismo e a sustentabilidade. Suas peças são voltadas majoritariamente ao público feminino, com roupas para diversas ocasiões, que vão do básico ao mais sofisticado.

Brisa Slow Fashion:

Também do Rio Grande do Sul, a Brisa Slow Fashion tem uma história curiosa: a inspiração para sua criação veio de uma lã sintética que permaneceu por anos em uma composteira. A loja utiliza algodão orgânico em suas peças, processos de tingimento natural e não conta com coleções, valorizando modelos de roupas atemporais e criados como devem ser: pensados com todo cuidado para o guarda roupa. A Brisa Slow Fashion trabalha com moda feminina sendo possível encontrar uma boa variedade de peças, além de acessórios.

Jouer Couture:

A paulistana Jouer Couture é outra marca que pretende repensar o consumo e a forma de produzir moda, valorizando a qualidade, a economia solidária e o consumo consciente. Um dos destaques da marca é o uso de algodão orgânico e de tecidos de reaproveitamento nas suas peças, que são produzidas em baixa quantidade. O foco é o público feminino, que encontra na Jouer Couture peças que atendem a diversas situações do dia a dia.

Insecta shoes:

A Insecta Shoes é de São Paulo e seu foco é a produção de sapatos e acessórios veganos e ecológicos e também propõe um repensar da economia e consumo. Com a missão de polinizar o mundo com cor e consciência, cada produto da marca pretende criar impacto visual, social e ambiental. Entre os materiais utilizados estão garrafas pet recicladas, algodão reciclado, peças de roupas usadas, tecidos de reuso e resíduos de produção.

Vert:

A Vert se apresenta como um projeto. Um projeto voltado a produção de tênis, que valoriza os princípios da sustentabilidade e do consumo consciente. Um dos diferenciais da marca é o contato direto com produtores de algodão e borracha, permitindo a eliminação de intermediários, o que possibilita o pagamento acima da média pela matéria-prima, contribuindo assim com o desenvolvimento das comunidades produtoras. É incrível como o projeto é transparente e deixa claro para os consumidores os pontos que ainda precisam aprimorar para atingir uma produção ecologicamente correta.

EMI Beachwear:

Voltada à moda praia, a EMI Beachwear está no mercado desde 2016 oferecendo seus produtos feitos à mão e com tecidos biodegradáveis – tanto naturais quanto sintéticos. São maios, biquínis, panneaux, vestidos e acessórios, com uma grande variedade de estilos, cores e estampas.

Escudero & Co:

Criada por um casal carioca, a Escudero & Co oferece bolsas e sapatos produzidos para durar, com materiais de qualidade e preocupação com os impactos sociais e ambientais de toda cadeia de produção. Cada peça da marca é única e desenhada com todo primor estético sem deixar de lado a funcionalidade tão necessária no dia a dia. Além do couro - adquirido somente com fornecedores que possuem certificação ambiental -, a juta – considerada a fibra do futuro - é outro material de destaque nas peças da marca.

Maria Tangerina:

A Maria Tangerina nasceu em 2013, e é uma marca de bolsas veganas 100% brasileira que trabalha com princípios da sustentabilidade e da economia solidária. A marca valoriza os produtores e negócios locais, o consumo consciente, a produção ética, responsável e o respeito aos animais.

Ufa! Quanta coisa! E isso é só o começo. Além das que eu indiquei existem diversas marcas que praticam o slow fashion. E muitas outras estão iniciando sua trajetória. Uma boa pedida para mergulhar nesse universo incrível das marcas nacionais é o “Guia de Marcas Conscientes” do site Mabellevitrine da Julia Codogno. Você pode baixar gratuitamente aqui.

E você não vai ficar fora dessa verdadeira revolução na forma de consumir, vai? A responsabilidade é de todos nós! Repense e pratique o consumo consciente.

Conhece outra marca slow fashion que vale a pena conhecer? Conta pra gente nos comentários!

Até logo!

2 comentários

  • Postado em poruyonabu

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