Adoção – mais que um processo, um gesto de amor

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Adotar uma criança ou um jovem é um ato de amor. É fornecer um lar, uma família e uma oportunidade a uma potência que, pelos mais diferentes motivos, teve tudo isso negado e passou a viver a dura vida em instituições de acolhimento. No Brasil, dados do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), existem aproximadamente 47 mil crianças e adolescentes em situação de acolhimento. Deste total, 9,5 mil estão inscritos no Cadastro Nacional de Adoção (CNA), sendo que apenas 5 mil estão efetivamente aptos a serem adotados.

Quando comparamos esses números com os dados das filas de adoção no país – que atualmente conta com cerca de 46 mil pretendentes – é difícil não se questionar porque ainda existem tantas crianças sem uma família. Afinal, o número daqueles que desejam adotar é muito maior do que os de crianças e jovens disponíveis para adoção. Existem diferentes motivos para isso. De questões culturais a burocráticas. Apresentar o cenário da adoção no Brasil, bem como indicar contas nas redes sociais de quem já realizou esse gesto de amor é o objetivo do nosso texto de hoje.

Adoção no Brasil: entendendo o cenário

Primeiro é importante entender que apenas uma menor parte das crianças e jovens em situação de acolhimento estão aptas a adoção por que o procedimento é encarado sempre como a última opção pela justiça, que primeiramente realiza tentativas de reinserção na família de origem e na família extensa – tios e avós, por exemplo. Outra questão que não pode ser ignorada é que no Brasil há um abismo sobre o perfil que os pretendentes desejam adotar e as crianças e jovens que estão para adoção. Para entender melhor essa diferença entre expectativa e realidade, vale destacar alguns dados:

  • 14,55% dos pretendentes desejam adotar apenas crianças brancas;
  • 58% dos pretendentes aceitam apenas crianças até os quatro anos de idade;
  • 4,52% dos pretendentes aceitam adotar crianças acima dos oito anos;
  • 61,92% dos pretendentes não aceitam adotar irmãos;
  • 61% dos pretendentes só aceitam crianças sem nenhuma doença.

Por outro lado:

  • 49,79% das crianças e adolescentes cadastrados no CNA são pardos, apenas 16,98% são brancos;
  • 55,27% das crianças e adolescentes cadastrados no CNA possuem irmãos;
  • 25,68% das crianças e adolescentes cadastrados no CNA possuem algum problema de saúde;
  • 53,53% das crianças e adolescentes cadastrados no CNA possuem entre 10 e 17 anos.

Assim, não é a toa que para muitos casais o processo de adoção acaba sendo longo e demorado, podendo levar anos até que seja encontrada uma criança com o perfil desejado e que se adapte a família.

Não há dúvidas de que caso os pretendentes abram mão das exigências, em especial aquelas ligadas à raça e faixa etária, o processo tende a ser mais rápido. Ainda assim, é preciso ter a compreensão que adoção em si é demorada. Entre a aprovação para integrar o cadastro de pessoas aptas a adotar e receber a guarda definitiva, a espera pode ultrapassar os cinco anos. Essa demora é necessária, afinal, estamos falando da criação de vínculos entre seres humanos. Além do mais, essa é uma forma de proteger principalmente as crianças e jovens, uma vez que a lei permite que durante o Estágio de Convivência, os adotantes podem “devolver” a criança, representando um segundo abandono, gerando traumas e sentimento de rejeição.

Vale reforçar que os adotantes que devolvem as crianças e jovens são excluídos do CNA e são impedidos de iniciar um novo processo. Os motivos que levam a devolução são dos mais variados, da separação do casal, a falta de adaptação à nova família, passando pelo sucesso na gravidez dos pretendentes. Por isso, é fundamental que a decisão de iniciar um processo de adoção seja muito bem pensada e pesada. Estamos falando de vidas que já sofreram com desilusões. 

Perfis para se informar e se inspirar

Hoje é fácil falar sobre a toxicidade das redes sociais. E não sem razão. A tecnologia conta com uma série de questões negativas e vem cumprindo um papel terrível na propagação de discursos de ódios e tem grande contribuição na polarização da sociedade. Além disso, não podemos fechar os olhos para seus potenciais danos a saúde mental. Mas...Mesmo diante de todos esses problemas temos de reconhecer que as redes também podem ser um ambiente positivo, através de boas iniciativas nas mais diferentes áreas, bem como no fortalecimento de minorias e no questionamento de padrões, sendo fundamentais para a construção de novos paradigmas e valores.

Quando o assunto é adoção de crianças e adolescentes existem iniciativas incríveis que além de fornecer muita informação de qualidade, ainda servem de fonte de inspiração, desmistificação e de propagação desse gesto de amor! A conta Adoção Brasil é um desses exemplos. Além de focar na adoção, o perfil aborda temas sobre os desafios e delícias da parentalidade. Outra indicação é o perfil Adoção Tardia, que procura desmistificar a adoção de crianças mais velhas. Por fim, indicamos o perfil da psicóloga Aline Santana, profissional especializada em casos de adoção que conta com um conteúdo muito rico sobre o tema abordado com grande sensibilidade, além de promover a preparação de casais que desejam adotar!

Essas são algumas iniciativas inspiradoras que encontramos nas redes sobre a adoção. Conhece algum outro perfil que trata sobre o tema e acredita que mais pessoas deveriam conhecer? Compartilha com a gente nos comentários!

Ahhh! E em um mundo onde as celebridades têm papel fundamental na influência de comportamentos não podemos deixar de exaltar aquelas que realizaram o gesto de amor e desprendimento de adotar uma criança, como Giovanna Ewbank, Elba Ramalho,  Daniela Mercury, Glória Maria, ou  Astrid Fontenelle.

 

Até a próxima!

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