Porque eu escolhi não saber o sexo dos meus filhos antes do parto

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Eu engravidei duas vezes e em ambas optei por não saber o sexo do bebê antes do parto, uma decisão que rendeu algumas das melhores experiências da minha vida. Sim, eu sei que é difícil fugir daquela ansiedade em querer saber se irá chegar um menino ou uma menina. Mas como eu não podia escolher, preferi ter a surpresa no dia do nascimento, respeitando o que a natureza preparou pra mim!

A beleza da surpresa do primeiro parto

Quando decidi que não queria saber o sexo do bebê, meu marido me deu total apoio, nem mesmo precisei argumentar com ele – que sorte a minha, não? Mesmo sem querer saber, confesso que nas duas vezes acreditei que teria um menino.

Na primeira, todos me falavam que seria um menino, seja pela forma da minha barriga, minha alimentação, enfim, tudo! A gente sabe que não funciona assim. Quem dera fosse tão simples, não? Mas era como se o universo estivesse me falando que chegaria um menino. Aí eu acreditei! E acreditei tanto que no dia do parto fiquei chocada.

Como assim eu tinha dado a luz a uma menina? Até perguntei para o médico se ele tinha certeza do que estava me falando.

Sabe aqueles momentos em que a realidade parece cair nos ombros? Pois é! Devagarinho essa sensação foi passando e logo a felicidade me tomou por inteira. Felicidade por entender que a vida é surpreendente! Adorei não saber que teria uma menina. Havia preparado um quarto bem simples para o bebê, apenas com tons de verde e amarelo. Um quarto agênero. Só quando a minha filha completou seu 1º mês, comecei a imaginar como seria o SEU quarto. Ela já não era mais um produto das minhas fantasias e desejos. Ela era real e agora eu a conhecia. No fim, acabei comprando todas as coisas para montar o quarto durante esse período, o que se mostrou a melhor decisão que eu poderia tomar. Isso porque eu sabia que não queria agir diferente durante a gravidez a depender do sexo do bebê, nem cair nos estereótipos de gênero.

A minha vontade era acolher essa vida como uma nova pessoa apenas, possibilitando que se tornasse o que desejasse ser neste mundo, sem amarras ou limites impostos desde o berço – literalmente.

Segunda gestação – Uma nova surpresa

Na segunda gestação não escondia que sonhava em ter uma segunda filha, para que assim elas pudessem crescer juntas. Claro que foi inevitável pensar que a vida iria contra o meu desejo e me surpreenderia novamente. Ao mesmo tempo essa foi uma fase muito corrida. Tão corrida que não preparei nada para a chegada do bebê, nem o quarto. Só coloquei uma cama e pintei uma parede com uma cor que ficava entre o verde e azul, e pronto!

Novamente todos me falavam que a minha gravidez tinha “cara de menino”, e como a minha experiência estava sendo completamente diferente da primeira, passei a acreditar. Cheguei à sala de parto convicta de que sairia dali como uma feliz mãe de menino. Mas adivinha o que aconteceu? Mais uma menina!

Segunda vez de "você tem certeza doutor?". Segundo choque, tão, ou mais, emocionante do que o primeiro.

Que presente a vida me dava! Ser mãe de duas meninas, ou melhor, de duas potências, incríveis! Eu descobri esses dois seres humaninhos na hora do parto, quando elas decidiram vir a esse mundo. Entenda: se fosse um menino, a minha felicidade seria a mesma. Eu já havia compreendido que a natureza era cheia de surpresas – e que delícia que é assim!

O profeta – Kahlil Gibran

Há muito tempo atrás eu tive contato com esse texto lindo de Khalil Gibran e que para mim dá todo sentido a minha escolha de não conhecer o sexo dos meus filhos antes do parto:

"Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem."

Eu acredito nisso. Que as crianças vêm para esse mundo para viver a vida delas.

Claro que nós, os pais, fazemos tudo para acompanhar, cuidar e proteger, mas nós escrevemos a nossa história e precisamos deixar que nossos filhos escrevam as deles. Para vocês, futuros pais, recomendo muito ler essa obra do Khalil Gibran que se chama "O profeta". Nela o autor trás pensamentos sobre a vida, o amor, a amizade e os filhos.

Não posso - e nem quero - julgar as pessoas que decidem saber o sexo do bebê antes do nascimento. Minha intenção é apenas compartilhar com você essa alegria que a vida me deu duas vezes. Uma surpresa que aquece o coração.

Mas se você está hesitando sobre saber ou não saber o sexo do seu filho, mesmo que seja um pouquinho, confie em mim: deixe a vida te surpreender! Abra mão um pouco da necessidade de controle, não se prenda a estereótipos e conceitos limitantes. O mais importante durante a gravidez é que estamos gestando uma vida!

E você? Como foi ou gostaria que fosse a sua experiência? Compartilha com a gente nos comentários!

Até logo!

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