Segunda Sem Carne, construindo uma alimentação mais consciente

0 comentários

 

Construir outra relação com o consumo e contribuir para um mundo sustentável passa por repensar nossos hábitos alimentares. O que colocamos em nosso prato tem consequências para a nossa saúde, para os animais e para o planeta.

Durante todo o século passado o mundo passou por profundas transformações. A aceleração do aprimoramento técnico levou a produção em massa, a consolidação da sociedade de consumo e ao aumento da renda. No campo, a revolução verde permitiu produzirmos alimentos como nunca antes na história, mudando nossos hábitos alimentares. Os alimentos de origem animal tornaram-se um item com presença diária nos pratos em muitas famílias. Não apenas pela maior oferta desses produtos, mas também pela maciça campanha que colocou a carne como sinônimo de saúde e prosperidade.

Consumir carne em até três refeições diárias passou a ser símbolo de um indivíduo forte e uma nação rica e desenvolvida. Essa máquina de propaganda foi impulsionada, principalmente, pelos Estados Unidos, sendo parte integral da construção da sociedade de consumo no pós-guerra.

O resultado da mudança alimentar foi um aumento progressivo na criação e abate de animais, que hoje atinge níveis industriais. Apenas no Brasil a cada minuto cerca de 10.000 animais são mortos. No mundo, anualmente, o número de abates chega aos bilhões. Vale lembrar que os animais são seres sencientes, ou seja, sentem sensações e sentimentos de forma consciente. Quando estão na fila dos abatedouros, eles sabem o que lhes espera e sofrem por isso.

Além disso, não podemos nos esquecer de que muitos locais de criação e abate pelo mundo são antros de maus tratos . O ritmo industrial de produção parece exigir a superexploração de vidas. Um excelente documentário sobre esse aspecto é o Dominion, que tem entre os produtores o ator Joaquim Phoenix. Para além do debate ético, porém, a criação de animais em níveis exorbitantes possui um impacto ambiental que não pode ser desconsiderado.

O impacto ambiental da pecuária

Emissões de gases:

A pecuária é responsável por 51% de todas as emissões de gases do efeito estufa no mundo. Além do gás carbônico, a atividade também é campeã na emissão de óxido nitroso e de gás metano.

Uso da água:

Para produzir 450 gramas de carne, são necessários 2,5 mil litros de água. Sim, o bife que você comeu no almoço precisou de todo volume de sua caixa d’água e mais um pouco para chegar ao seu prato.

Uso da terra:

Cerca de um terço de toda a terra livre de gelo presente no planeta é utilizado para a criação de gado. No Brasil, a concentração fundiária e o uso do desmate, como prática para o aumento das pastagens, tornam o cenário ainda mais dramático. Dados do Inpe mostram que 62,8% de toda área desmatada da Amazônia até 2008 foi ocupado por pastagens. E mais: documento do Banco Mundial aponta que 91% do desmate da floresta está relacionado a atividades agropecuárias.

Resíduos:

Uma criação de 2,5 mil vacas leiteiras produz a mesma quantidade de resíduos que uma cidade com população de 411 mil pessoas. Se juntássemos todos os resíduos produzidos pela indústria da carne seria possível cobrir as cidades de Nova Iorque, São Francisco, Tóquio, Hong Kong, Londres, Rio de Janeiro, Bali, Berlim, Delaware, Paris e Nova Deli juntas.

Contaminação da água e superexploração do oceano:

Sabe para onde vai todo esse lixo produzido? Para os oceanos, contaminando nossos mares já tão castigados. O oceano também é alvo de uma pesca predatória que vem dizimando a vida marinha. Existem pesquisas que indicam que até 2048 não haverá mais peixes comestíveis no mar. Vale lembrar que caso os cientes estejam errados, os peixes que sobreviverem estarão cheios de plástico .

Você pode saber mais sobre os impactos ambientais da indústria da carne através do documentário Cownspiracy, que aborda a questão globalmente.

Já para pensar nos efeitos da pecuária no meio ambiente brasileiro, recomendamos os documentários: Sob a Pata do Boi e Sertão Velho Cerrado.

 

E os impactos na saúde?

Comer carne e outros alimentos de origem animal foi gradativamente associado à saúde, mas será que é isso mesmo? Embora essa seja uma questão controversa, existem estudos que mostram que o excesso de consumo de carne favorece o desenvolvimento de doenças, inclusive o câncer, problemas cardiovasculares, obesidade e diabetes. Um excelente documentário que trata sobre os efeitos da alimentação de produtos de origem animal na saúde é o What The Health.

Bom, diante de tantas informações talvez você esteja pensando: o que eu posso fazer a respeito?

Segunda sem carne – Um dia sem o consumo de animais

Embora cada vez mais pessoas estejam aderindo a uma dieta baseada em plantas, sabemos que cortar a carne do cardápio de uma vez, não é para todos. E tudo bem. 

O importante é que você está considerando a possibilidade. Que tal, por exemplo, ao invés de cortar, diminuir o consumo de carne em sua dieta? Se essa ideia te parece possível e atraente, temos um convite para te fazer! Segunda feira é o dia mundial das mudanças, não é? Quem nunca prometeu começar uma dieta ou mudar algum hábito a partir de uma segunda? E se você usar a segunda para não comer carne? Acredite: você não estará sozinho nessa!

A campanha Segunda Sem Carne é uma iniciativa lançada em 2003 e que hoje está presente em mais de 40 países, contando com o apoio de celebridades, como a lenda Paul McCartney, líderes internacionais e intelectuais. No Brasil, a Segunda Sem Carne completou 10 anos de atividades em 2019, e hoje o movimento nacional é o maior do planeta! Por aqui, a ação é impulsionada pela Sociedade Brasileira Vegetariana, que procura conscientizar sobre as consequências do consumo predatório de carne, disseminando informações e dando vida a diversos projetos.

Um bom exemplo da atuação do grupo foi à implantação do programa “Alimentação Escolar Vegetariana”, que desde 2017 oferece aos alunos da rede pública municipal de São Paulo acesso a uma alimentação 100% livre de produtos animais. No site da Segunda Sem Carne você encontra um monte de informações para te ajudar a completar o objetivo de não comer carne um dia da semana. E quem sabe com o tempo você não aumenta esse número para dois, três, cinco ou sete?

Aproveite que hoje você encontra na internet perfis e pessoas incríveis que promovem o veganismo e a dieta vegetariana, compartilhando informações e receitas, com muita empatia e amor, e se inspire para mudar seus hábitos alimentares!

Ah! E você sabia que a alimentação vegetariana não é obrigatoriamente mais cara? Ter uma dieta vegetariana baseada em produtos naturais sai até mais barato que consumir carne nas três refeições diárias!

Vamos juntos cuidar dos animais, da saúde e do planeta?

Até logo!

Deixe um comentário

Todos os comentários serão validados antes de serem publicados
Parabéns, agora você faz parte!