Camila, mãe da Lavinia 2 anos.

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Você sempre teve o desejo de ser mãe? Conte um pouco sobre a sua família.

Sempre tive muita vontade de ser mãe. Acredito que por ter sido criada apenas pela minha mãe e com muito amor e dedicação, onde desenvolvemos uma relação de muita troca e parceira. Isso colaborou para esse desejo de ser mãe. A Laura, a outra mãe da Lavínia, também sempre teve muito desejo de ser mãe, depois de alguns anos de namoro, alinhando bastante nossas expectativas quanto a ter um filho, criação, métodos e estilo de vida, decidimos ter um bebê juntas.

A natureza da mulher sempre me fascinou muito, e por ser mais velha que a Laura decidimos que eu iria engravidar. Depois de pesquisarmos bastante sobre tratamentos, optamos por fazer uma inseminação artificial, conseguimos engravidar de primeira e assim nasceu essa família repleta de amor.

Quais os desafios de uma maternidade homoafetiva?

Acredito que o principal desafio é sair da caixinha socionormativa, onde o modelo “padrão” é a família composta por pai e mãe. Muitas vezes nos questionam sobre quem é o pai, quem faz o papel de pai, sempre associando esse papel a mãe não gestante. O quanto à sociedade é apegada a genética é um grande desafio da dupla maternidade e parentalidade homoafetiva num geral.

Chamarem doador anônimo de ‘pai’ é outro clássico.

Acredito que os principais desafios giram em torno desses modelos de pai e mãe, seja por parte da sociedade, ou por casais de duas mães que tentam caber em uma família que não nos contempla. Um dos meus grandes trabalhos na internet por ter voz nesse núcleo homoafetivo, é sempre tentar conscientizar as pessoas de que a caixa heteronormativa não nos contempla.

O que você entende por criação consciente? Como esse conceito impacta a dinâmica familiar?

Acredito que a grande diferença da criação consciente é ver um comportamento compulsório, como, por exemplo, a criação autoritária de achar que existe uma hierarquia dentro da relação mãe e filho. Eu acredito que a criação consciente é uma criação onde estamos constantemente observando os próprios comportamentos e sempre colocando na balança quais as necessidades do nosso filho a serem atendidas.

Para mim, a criação consciente na dinâmica familiar é uma troca que sinto bastante falta, agora que me separei da mãe da Lavínia. Nós sempre trocamos muita ideia, estávamos sempre dando toques uma pra outra e se ajudando a ter mais clareza.

Viver a dupla maternidade mudou a visão de vocês sobre o mundo de alguma forma? Como?

Com certeza. Pra nós, foi algo extremamente natural, nos amávamos e decidimos ter um filho, mas ao compartilhar nossa vivência na internet, entendemos o quanto representatividade importa! A partir da nossa coragem de expor nossa vida, dia a dia, escolhas e família, nasceram outras famílias, das quais inclusive temos convívio.

Ao entrar pra esse mundo, eu entendi o quanto a luta é nossa, o quanto nós da comunidade lésbica, merecemos construir famílias. É um direito e é uma honra poder inspirar outras mulheres a enxergarem sua força.

Quando você era criança, como você definia família? E hoje em dia, após formar um núcleo familiar?

Minha infância foi constituída por uma mãe sobrecarregada e um pai ausente, um clássico, rs. Eu sempre enxerguei família como sendo eu e minha mãe, algo bastante fechado e muitas vezes solitário. Hoje em dia, eu enxergo o quanto o conceito de família é a união de pessoas que se amam. Minha filha esta crescendo rodeada de amor, de suas mães, avós e familiares, mas também de muitos amigos, famílias como a nossa e acredito que isso acrescentará muito na vida dela hoje e sempre.

Qual o legado gostaria de transmitir para a sua família / filhos?

De que nós podemos ser a mudança que queremos ver no mundo. E que o amor pode mudar vidas, sempre.

Camila, da conta Instagram @thewinteriscami

 

 

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