Gabriella, mãe do Otto 8 meses.

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Você sempre teve o desejo de ser mãe? Conte um pouco sobre a sua família.

Ser mãe sempre foi um sonho, quando eu nasci minha mãe era super nova então por isso minha família sempre me instruiu a não ter filhos, mas desde sempre me vi em uma família grande e com filhos.

Nas redes sociais é comum você postar momentos e reflexões muito íntimas sobre a maternidade real. Em algum momento você sentiu a pressão que a idealização da maternidade impõe sobre as mulheres? Acredita que a quebra desse mito da mãe perfeita – santa, casta, pura e que ama os filhos incondicionalmente o tempo todo - é positivo tanto para as mulheres como para originar novas formas de família?

Acredito que seja totalmente positivo, é muito imposto as mulheres que a mãe ideal dê conta de tudo, companheirxs, trabalho, casa, filhos. Demonstram como sinal de força esconder as nossas vulnerabilidades e dificuldades, quando na verdade a força está em expor que todos esses sentimentos existem. Mostrar que as mães se sentem cansadas - com ou sem rede de apoio - que não damos conta de tudo e nem deveríamos dar já que somos mães e não máquinas. Falar sobre isso de certa forma alivia a carga que carregamos ao tentar atingir uma perfeição que não existe.

Quando você era criança, como você definia família? E hoje em dia, após formar um núcleo familiar?

Cresci em uma família bem desunida, fui criada por muitos anos por uma tia-bisavó e pra mim família era definida apenas como “as pessoas que você briga, mas que precisa amar e conviver” rs Hoje tudo mudou, a minha família é onde me sinto acolhida e amparada em qualquer situação e acho que posso definir como isso, acolhimento, aceitação e amparo.

Gabi, você defende abertamente uma criação com afeto e autonomia. Como isso ocorre na prática? Quais as diferenças que enxerga na forma como você foi criada e na forma como cria seu filho? E semelhanças?

Na prática é como uma mudança total na perspectiva, um real enquadramento constante das situações cotidianas, evitando rotular a criança, focando em de certa forma ser mais otimista, não limitar suas ações e respeitar seus sentimentos. Parece simples, mas sinto que temos enraizado a exigência de que crianças compreendam as coisas como adultos, e essa é uma das diferenças na criação que eu tive e na criação que tento aplicar com meu filho, tive uma criação extremamente machista e limitadora, acho que o que se assemelha com a criação que eu tive é que acredito que incentivar a criança a brincar livremente é uma das coisas mais importantes que você pode fazer pelo seu filho.

Nutricionista, mãe, criadora de conteúdo... É possível gerir o tempo e lidar com a carga mental de todas as atividades de forma que dê conta de todas as responsabilidades e ainda construir uma relação familiar sólida e afetuosa? Qual a importância da participação ativa do parceiro(a) nesse processo?

O segredo é não dar conta de tudo, rs. Os prazos não vão prorrogar, a louça não vai se lavar sozinha pra você ficar um tempo com a sua família, pra manter seu filho dormindo confortável no seu colo, o mundo continua girando. Mas eu costumo dizer que escolho minhas batalhas e em grande parte das vezes priorizo o momento com eles, meu parceiro é fundamental, ele é a peça chave de tudo, principalmente pra que a maternidade seja mais leve, ele apoia demais as minhas escolhas e desde o início estudou muito comigo o que faz com que eu me sinta mais segura nas minhas ações e em ter certeza de que eu faço o que é possível. Mesmo quando ele não pode participar tanto dos cuidados com o bebê, ele está sempre cuidando de mim e isso é essencial, as mães precisam ser cuidadas.

Gabriella, da conta Instagram @mourasgabi

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