Thais, mãe de Gael 1 ano e Arthur 9 meses.

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Você sempre teve o desejo de ser mãe? Como enxergava a maternidade antes da chegada dos filhos?

Passei minha vida toda achando que não queria ter filhos. Quando comecei a me relacionar com meu atual marido foi que me bateu a consciência de que eu queria sim. Daí até engravidar do meu primeiro filho foi uma questão de meses, por causa disso, tive que aprender tudo a toque de caixa. Não sabia absolutamente nada de maternidade, o assunto nunca tinha me interessado antes. Nunca tinha nem ouvido palavras do tipo "colostro" e "puerpério" hahaha.

Thaís, você trabalha como mecânica automotiva uma profissão que ainda hoje é vista como masculina. Quando e como surgiu o interesse pela mecânica? Houve alguma influência familiar nesse processo?

Gosto de carros desde criança, mas sempre foi um interesse amador, já que nunca foi estimulado. Me formei em Ciência da Computação e fiz uma carreira de quase 15 anos na área de infraestrutura de redes de computadores. Em determinado ponto eu estava tão cansada do meu trabalho que comecei a somatizar e adoecer. Foi quando procurei o curso de mecânica do Senai. A ideia era ter um hobby pra desestressar, mas o que aconteceu foi que me descobri e decidi pela transição de carreira. Isso foi em 2011/12 e foi uma das melhores decisões que tomei na minha vida. Minha mãe sempre me apoiou muito durante o processo e ainda é minha torcida organizada até hoje, agora, junto com meu marido.

Ainda sobre esse tema, em algum momento sofreu com o machismo por sua escolha? É possível educar as crianças de hoje para que elas não reproduzam esses comportamentos?

Machismo é presença constante na vida de qualquer mulher... quando a gente toma decisões desse tipo, como trabalhar com coisas que as pessoas acham que não são pra gente, isso se potencializa. Já passava por situações complicadas na área de tecnologia e fui pra área automotiva esperando o pior. Pra minha surpresa, foi muito melhor do que eu pintei na minha mente, mas ainda acontecem coisas chatas sim. O importante é me agarrar nas coisas legais que acontecem, que são muitas e muito legais.

Mecânica, mãe de dois e criadora de conteúdo. Em algum momento você consegue se colocar em primeiro lugar ou é sempre um desafio?

Hahaha.. De jeito nenhum! Gael está com 1 ano e 7 meses e Arthur está com 9 meses e eu ainda não consegui readequar minha rotina pra alguma coisa onde eu me sinta produtiva. Gravo os vídeos pro canal do Youtube (Coisas de Meninos Nada) durante as madrugadas, o que explica a cara de sono em TODOS os vídeos. Estou com um milhão de projetos e não estou conseguindo colocar nada em prática. Isso me deixa bem chateada, mas estou me treinando pra não me cobrar tanto. Foco no fato de que estou construindo uma relação preciosa com os meninos e isso me deixa muito mais leve. Os projetos vêm com o tempo... por enquanto, minha dedicação é 100% aos meninos, porque foi assim que planejei quando decidi ser mãe.

Após a chegada dos seus filhos o conceito que você tinha sobre família se modificou? Como? É importante repensarmos os modelos de famílias tradicionais?

Não sei se meu conceito de família mudou muito não... talvez o de núcleo familiar. Nunca tive muita proximidade com minha família, nem da parte da minha mãe nem do meu pai, mas gosto muito da dinâmica que construímos pra nossa família aqui (eu, meu marido, os meninos e nosso cãozinho). Aqui temos quase zero de tradicionais hahaha. Talvez as únicas coisas que temos de tradicional seja o fato de sermos héteros e monogâmicos... de resto... Os papéis tradicionais de quem trabalha fora, quem lava, quem cozinha e coisas desse tipo, aqui é tudo totalmente diferente, e é assim que a gente gosta.

Qual o grande legado gostaria de deixar para seus filhos? Que mundo gostaria que eles encontrassem no futuro?

Não tenho muita esperança de deixar um mundo melhor pra eles. Acredito que o que temos hoje é o que eles vão pegar nas mãos. Mas acredito muito que eles serão vetores de mudanças. Trabalho pra isso. Me empenho demais na educação deles pra que sejam melhores que nós (pais deles). Leio livros, faço cursos, tudo o que me aparecer sobre educação infantil, que eu considere de boa referência, devoro e aplico com muita dedicação. Estou até pensando em montar um altarzinho pra Maria Montessori aqui em casa hahaha. Mas sério, nisso eu ponho muito empenho mesmo. Quero que eles sejam o que quiserem ser, que aprendam o quanto o respeito é importante e que sejam pessoas felizes.

Thais Roland, das contas Instagram @thaisfr e @multi.thais.

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