Os brinquedos e o desenvolvimento infantil: diversao e aprendizado

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Desde o início do século XX, quando estudos realizados pelo psicólogo russo Lev Vigotsky apontaram para a melhora da capacidade cognitiva da criança ao brincar, o olhar sobre os jogos e brincadeiras infantis vem se modificando. Hoje é plenamente aceito que o brincar é um aspecto fundamental no desenvolvimento da criança. Durante as brincadeiras as crianças assumem diferentes papeis, indo além daqueles a qual ela está habituada.

Entre os benefícios de brincar estão o conhecimento do próprio corpo, aprender a dividir com o próximo, aprender a criar regras, solucionar problemas, além de experimentar os limites do mundo que o cerca. 

Possibilitar que a criança tenha tempo livre para brincar e decida com o quê e como vai realizar essa atividade, é essencial. Dentro disso, os brinquedos cumprem um papel muito importante. É sobre isso que vamos te contar agora!

Os brinquedos, as brincadeiras e o desenvolvimento infantil

As brincadeiras infantis são, muitas vezes, o reino do faz-de-conta. A capacidade imaginativa das crianças permite que elas criem as mais diversas situações em sua cabeça. Os brinquedos contribuem para a criação desse reino. Para os pequenos, os brinquedos são mais que simples objetos, mas tem força motivadora, auxiliando na transposição do mundo real para o imaginário, permitindo assim que atuem de forma diferente em relação ao que veem e vivem. É o lúdico, inclusive, que permite desenvolvimentos mais complexos, estimulando a interação das crianças em uma situação que envolve negociação e regras de convivência. O brincar é um dos maiores estimuladores da sociabilidade.

Outro ponto importante sobre os brinquedos está ligado ao emocional. Durante as brincadeiras as crianças aprendem a organizar e lidar com as diferentes emoções, seja alegria, tristeza, raiva, frustração... É como uma simulação da vida real!

Além do desenvolvimento social, cognitivo e emocional, as brincadeiras ainda cumprem um papel importante no desenvolvimento motor, através do estímulo aos movimentos. Ou seja, brincar é fundamental. O brinquedo cumpre um papel catalizador, sendo importante que se ofereça opções condizentes com o nível de desenvolvimento motor e cognitivo. Esse aspecto, aliás, deve ser prioritário no momento da escolha dos brinquedos.

Cada indivíduo é único e experimenta a vida de forma diferenciada. Isso significa que nem sempre um brinquedo indicado para um público de três a cinco anos, será a melhor opção para o seu filho de quatro anos. Às vezes ele pode estar em um nível motor e cognitivo que o brinquedo já não tenha mais graça, ou o contrário, ainda é muito complexo, levando a perda de interesse e capacidade de interação. Além da adequação do brinquedo a criança é muito importante o incentivo a autonomia, possibilitando que ela explore o objeto das mais diversas maneiras, inclusive aquelas que não são as habituais ou recomendadas pelo fabricante.

Lembre-se que em nenhum outro momento da vida o indivíduo terá tanta capacidade imaginativa e criativa. Deixe a criança ser criança!

O brincar como direito

Para reforçar a importância do brincar e dos brinquedos no desenvolvimento infantil, vale lembrar que esse é um dos princípios da Declaração Universal dos Direitos das Crianças, junto à alimentação, habitação e assistência médica. Se você ainda enxerga o brincar e os brinquedos como uma perda de tempo ou um simples momento de lazer, já é mais do que na hora de repensar e passar a valorizar essa prática e esses objetos tão importantes.

Uma criança que brinca não apenas é mais feliz, como tem maior qualidade de vida, bem estar e a possibilidade de ter uma vida plena e alcançar toda sua potência.

Mas e o consumismo?

Como podemos perceber o brincar e os brinquedos são muito importantes e precisam fazer parte da vida das crianças para que elas se tornem indivíduos plenos e saudáveis. Mas isso não pode esconder um problema: o consumismo. A expansão do consumo registrada a partir da década de 1980 atingiu também o setor de produção de brinquedos, o que reflete uma mudança no estilo de vida, que passou a ser muito mais interna. O crescimento das cidades e o medo da violência fizeram com que as brincadeiras nas ruas e ao ar livre fossem sendo deixadas de lado, ao menos nas casas e bairros de classe média. Essa interiorização mudou a maneira de brincar.

Sem dúvidas antes os brinquedos tinham um papel importante, mas aos poucos se tornaram ainda mais presentes e sofisticados, substituindo, até, a velha e boa imaginação capaz de transformar qualquer objeto em um passaporte para a aventura.

Claro, todos os pais querem o melhor para os seus filhos e desejam oferecer oportunidades que eles nem sempre tiveram acesso. Mas será que encher os filhos de brinquedos é mesmo o melhor, ou estamos contribuindo para coloca-los na lógica de vício do consumo? Sim, o consumo opera em uma lógica de vício através de mecanismos de recompensa e frustração. O problema é que quando isso é imbuído desde pequeno, depois para romper com essa influência que o consumir assume em nosso bem estar é difícil.

Não estamos dizendo que é preciso parar de dar brinquedos para as crianças. Até porque como mostramos acima, esses objetos cumprem papel importante no desenvolvimento infantil. Mas é preciso praticar o consumo consciente.

Vale lembrar ainda que no Brasil os preços dos brinquedos de grandes marcas alcançam patamares que são inviáveis para uma parcela considerável da população. Como pode uma boneca de plástico ter o mesmo valor de uma cesta básica? Fora, claro, que em sua grande maioria os brinquedos que são vendidos aqui reproduzem papéis de gêneros antiquados e passam longe de representar a diversidade racial e cultural presentes no Brasil, parecendo mais uma cópia dos EUA e Europa – o que faz sentido, já que é isso que parte de nossa sociedade sempre quis ser. Claro que fugir dessa lógica é difícil. Hoje em dia contamos com uma cultura onde não faltam datas para presentar, o que no caso das crianças muitas vezes é sinônimo de dar presentes. Nos aniversários infantis, por exemplo, é quase uma obrigação dar brinquedos aos aniversariantes.

Além disso, precisamos admitir que falar “não” para os filhos muitas vezes carrega um enorme sentimento de culpa tremendo. Por isso, se você prometeu que nunca ia dar uma “Barbie” para a sua filha e acabou dando em algum momento, tudo bem. O importante é o que vamos fazer agora. Como vamos mudar esse cenário e ajustar a educação e formação das crianças na construção desse novo mundo que é urgente diante da situação do planeta.

Ações para mudar

Mudar um hábito arraigado é difícil. Ainda mais quando falamos de consumo em uma sociedade que super valoriza a mercadoria. Mas ser difícil, não quer dizer que seja impossível.

1/ Quando falamos em brinquedos isso implica em buscar brinquedos que sejam educativos e duráveis – como, por exemplo, os das lojas Lume BrinquedosReino, Ton Zé, Hurra! Tibua, entre muitas outras. Vale reforçar que todas essas marcas são pequenos negócios locais que contribuem para o desenvolvimento regional. Isso porque não apenas usam matérias-primas locais, como geram empregos e fazem o dinheiro circular naquele bairro, cidade ou país.

2/ Além disso, é fundamental também em consumir menos, valorizando as trocas e brinquedos de segunda mão. Sites como Elo7, Mercado Livre e Enjoei, são opções ótimas para a compra de brinquedos usados em excelente estado. Outra opção muito interessante são os grupos de Facebook, onde mães revendem brinquedos.

3/ E nunca se esqueça de valorizar as brincadeiras ao ar livre e a imaginação, que não, não podem ser substituídas por telas e são fundamentais para o desenvolvimento infantil nos mais diversos aspectos.

4/ Outra dica é na hora de dar presentes para crianças, fugir das lógicas dos brinquedos. Os livros, por exemplo, é uma opção excelente para crianças de todas as idades. Falamos sobre as opções de assinatura de club de leitura infantil no artigo "A importância da leitura infantil". Outra ideia é você entrar em contato com a mãe do aniversariante para saber do que ele precisa de roupa, por exemplo.

5/ Por fim, para quem mora nas grandes cidades, sempre é possível frequentar as brinquedotecas, como as existentes em alguns SESCS. É um programa ótimo para passar o dia e se divertir a valer sem consumir.

É difícil? Sem dúvidas. Mas quando falamos do futuro dos nossos filhos e do futuro da Terra, o esforço vale a pena, não é mesmo? Vamos juntos nessa!

E me conta: como são as brincadeiras aí na sua casa? E você teve algum brinquedo que te marcou? Compartilha com a gente!

Até a próxima!

1 comentário

  • Postado em porPatrícia de Andrade Valeriano
    Parabéns!! Adorei esse texto e concordo muito com o que escreveu!! Vou compartilhar!!

    Bjos

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