Pensando no futuro: o que é economia circular?

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Já faz algum tempo que a noção de desenvolvimento que coloca o padrão dos países do norte global como a grande meta a ser alcançada por todos vem sendo questionada. Afinal, será que é possível que todos os povos do mundo vivam como os Estados Unidos e a Europa Central? A reposta para essa pergunta é: não. Se todo o globo replicasse o estilo de vida e os hábitos de consumo dos países ditos desenvolvidos nosso planeta não suportaria todas as nossas necessidades. Estudos de 2011 mostravam que para o mundo viver como os estadounidenses, precisaríamos de quase cinco planetas. Já um estudo de 2019, mostra que se o mundo vivesse como a União Europeia, seriam necessários quase três planetas.

Sem que grande parte da população mundial tenha alcançado os padrões do norte, porém, o futuro da humanidade na Terra já está em risco. A emergência climática e o início de um processo de extinção em massa, mostra que é preciso repensar nossos caminhos.

Economia Circular: construindo alternativas para um futuro possível

Hoje o nosso sistema econômico hegemônico parte de valores egoístas e tem como grande objetivo final o lucro. Assume-se que a busca pelo lucro estimula o desenvolvimento e a melhora nas condições de vida para todos. Não restam dúvidas que desde a consolidação do capitalismo industrial e seu espalhamento pelo mundo, a humanidade obteve conquistas muito importantes que se traduziram, por exemplo, em um considerável aumento da expectativa de vida. É quando olhamos para a questão do conforto que as mudanças produzidas pelo sistema ficam mais evidentes e palpáveis. Nem é preciso ir muito longe. Quando nos lembramos do mundo da nossa infância, ou adolescência, e comparamos com o de hoje essa realidade se escancara.

Tudo isso, porém, foi conquista a um preço altíssimo. Aceleramos as mudanças climáticas, produzimos bilhões de toneladas de lixo, dizimamos milhares de espécies (apenas nos últimos 40 anos, 784 animais foram extintos), poluímos os oceanos , rios e aquíferos, etc. Mas não, o ser humano não é o vírus. Não nascemos com o propósito de destruir. O problema não é a nossa espécie, mas o sistema pelo qual a maioria dela decidiu se organizar. Não é possível buscar o lucro infinito em um planeta finito.

Vale dizer que essas críticas à organização atual do capitalismo e seus efeitos nos planetas e pessoas não são de hoje. Há séculos intelectuais e ativistas se debruçam para entender o sistema e construir alternativas. A economia circular é uma delas.

O que é a economia circular?

Atualmente predomina uma economia linear que tem como estrutura o seguinte modelo: extração da matéria-prima, transformação, uso e descarte de resíduos, em um ciclo que parece ocorrer cada vez mais rápido.

Uma alternativa a esse modelo é a economia circular, um conceito que tem como objetivo permitir produzir e viver de modo sustentável, tendo como base a inteligência da natureza, que funciona de forma cíclica, harmoniosa e sistêmica. Pode até parecer complicado, mas é simples do que a gente imagina, basta olharmos para a natureza para entender. Nela não existem lixões ou aterros sanitários. Quando uma espécie causa um resíduo, por exemplo, as folhas secas de uma árvore ou o material fecal de uma minhoca, ele se torna nutrientes para outra. Tudo é reaproveitado em um fluxo contínuo e circular. Se somos parte da natureza, por que não aprender com ela?

A economia circular aplica essa ideia no mundo dos negócios. Nosso planeta tem limites, que estão cada vez mais próximos de serem atingidos. Assim, é preciso partir para uma abordagem circular, onde os resíduos são transformados em potenciais subprodutos ou materiais. O lixo é um erro de design, precisamos promover a reutilização, recuperação ou reciclagem. A crescente preocupação com o meio ambiente vem fazendo com que mais e mais pessoas entrem em contato com a economia circular e se apoderem desse conceito, colocando em prática no seu dia a dia.

Alguns exemplos de práticas que são associadas à economia circular são: a realização de compostagem de resíduos sólidos, como restos de alimentos, para a transformação em adubo; reaproveitamento e reprocessamento de resíduos que seriam descartados - como uma máquina de lavar quebrada, por exemplo - reintegrando esses a cadeia econômica. É importante pontuar, porém, que a economia circular é mais do que reduzir, reutilizar e reciclar, sendo uma ciência que repensa as práticas econômicas, unindo um modelo sustentável ao ritmo tecnológico e comercial do mundo atual.

Quem acredita que construir o futuro é tarefa urgente e começa agora, vale a pena estudar e conhecer o conceito, que propõe, de fundo, uma nova forma de viver e se organizar. Não sabe por onde começar? Confere esse vídeo da Ellen MacArthur Foundation, organização que estuda e promove a economia circular, explicando o conceito de forma simples e divertida: 

 

A moda e a economia circular

Embora ainda não seja tão evidente, princípios da economia circular já são adotados por empresas de muitos setores. Claro, ainda há muito a ser feito, mas isso não quer dizer que não devemos celebrar as pequenas vitórias.

A produção e consumo de roupas é uma das atividades humanas com maior pegada ecológico, produzindo um elevado número de gases do efeito estufa, de resíduos orgânicos e não-orgânicos, além da grande necessidade de energia e água durante todo o ciclo de vida do produto. Esse cenário gera pressão para mudanças profundas na indústria da moda. Mas o setor de moda, apesar de todos os “poréns” possíveis, se caracteriza por possuir uma natureza vanguardista. Dessa forma, são diversas as iniciativas de marcas dos mais variados segmentos que vem adotando medidas importantes para mudar a forma como se fabrica, consome e se descartam as roupas.

E ainda bem! Dados mostram que os aterros sanitários pelo mundo recebem cerca de 50 milhões de toneladas de roupa por ano. A cada segundo um caminhão com tecidos chegam aos locais de descarte, sendo que grande parte desse material não é biodegradável. A perda aqui não é só para o meio ambiente, é também econômica, sendo estimada em U$ 500 bilhões anuais, porque as roupas descartadas são pouco usadas e raramente recicladas. O material poderia ser reprocessado, revendido, reutilizado ou reciclado, mas vai para o lixo.

Para reforçar a importância da economia circular na moda, vale lembrar que grandes nomes da “fast fashion”, como C&A, Nike, ou H&M, entre outras, vem adotando essa forma de produzir e prometem ampliar as ações nos próximos anos. 

Sem dúvidas é super importante que as grandes marcas façam essa mudança pelo impacto que já produziram no mundo, contudo, parece ser ainda mais necessário que os pequenos e os negócio locais sejam promotores dessa nova realidade. Afinal, consumir localmente também é uma medida importante nos cuidados com o planeta. Nós sabemos: o mundo anda muito complicado e o futuro parece incerto. Mas sabemos também: ainda é possível mudar! Vamos juntos construir um novo futuro possível?

Até a próxima!

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