Empreendedorismo feminino é transformação

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Não temos dúvidas, a quarta onda feminista, iniciada nos primeiros anos dessa década, veio para mudar tudo e a cada ano se fortalece. Ainda há muito a ser feito, e isso fica claro quando olhamos os índices de violência contra a mulher e da desigualdade de gênero. No Brasil, uma mulher é agredida a cada quatro minutos, temos a 5ª maior taxa de feminicídio do mundo, as diferenças salariais entre homens e mulheres chegam a 53%, entre tantos outros absurdos que conhecemos bem. Apesar de o caminho ser longo, é inegável que desde que o feminismo entrou na pauta do dia de mulheres de todas as idades e origens, muito foi conquistado. Especialmente quanto ao empoderamento.

Inúmeras mulheres passaram a se perceber como elas são: potências incríveis. Vamos aprendendo a nos valorizar e gritar que o nosso lugar é onde quisermos e como quisermos. Existem muitas ferramentas de mudanças. As políticas públicas são, sem dúvidas, fundamentais, mas não estão sozinhas. Embora tenha seus limites, o empreendedorismo feminino vem se mostrando como uma dessas ferramentas, causando impacto tanto na vida individual quanto na sociedade.

O empreendedorismo feminino no Brasil: um breve panorama

É senso comum que é um desafio empreender no Brasil. Os motivos seriam a burocracia, impostos, gargalos logísticos, dificuldade de crédito, entre outros. Apesar disso, o país conta com uma das maiores taxas de empreendedorismo do mundo. Segundo pesquisa da Global Enterneuship Monitor, a Taxa de Empreendedorismo Total do país chega a 38%, estando a frente da China (26,7%) e dos EUA (20%). É interessante notar que esse índice cresceu durante a crise econômica, impulsionado pelo chamado empreendedorismo por necessidade. Agora em 2020 com a pandemia, essa taxa subiu ainda mais e deve bater recorde histórico: as micro e pequenas empresas geram quase 30% do PIB do Brasil em Junho de 2020. 

Antes mesmo da crise, porém, já se notava um aumento das mulheres donas de seu próprio negócio, estimulado pelas mudanças ocorridas durante a primeira década do século. Entre 2003 e 2013, o número de mulheres empreendedoras saltou mais de 20%. Não é pouca coisa, pelo contrário. Esse cenário se aprofundou nos últimos anos, estimulado tanto pela necessidade - ainda principal motivo que leva a mulher a empreender - imposta com a perda de renda e emprego, quanto pela presença da quarta onda feminista. Conforme a ideia de se empoderar e tomar nas mãos o próprio destino se espalhava, muitas mulheres seguiram o caminho do próprio negócio.

Hoje as mulheres são as que mais abrem novas empresas e que demonstram maior interesse em empreender, segundo pesquisa do Sebrae.

Os desafios, porém, ainda são inúmeros. A diferença de ganhos em comparação com a população masculina prossegue, mesmo as mulheres apresentando maior nível de escolarização em comparação aos homens que empreendem. Além disso, a mulher ter de se virar para conciliar os cuidados com os filhos e a carreira ainda é uma realidade que se impõe em pleno 2019, fruto de uma cultura que persiste. Entender e encarar os desafios do empreendedorismo feminino é urgente, especialmente pela força que ele possui de transformar vidas e o mundo a sua volta.

Empreendedorismo feminino e transformação

Quando falamos das transformações que o ato de empreender praticado por mulheres pode gerar, temos de iniciar apontando dos impactos na vida individual. 43% dos casos de violência contra a mulher ocorrem dentro de casa, praticados, em sua maioria, pelo marido ou parceiro. São inúmeros os casos de mulheres que se submetem a uma vida marcada pela violência por conta da falta de independência financeira. Sem ela, é difícil ter autonomia emocional. O negócio próprio permite que a mulher tenha a própria renda, e mais do que isso, se veja como dono da própria vida.

Sim, o empreendedorismo é um aliado contra a violência.

Além dos impactos individuais e como esses se refletem no combate a violência, não podemos desconsiderar os impactos sociais. Um negócio aberto em um bairro ou comunidade favorece a economia local, aumentando a circulação de bens e serviços e possui um efeito secundário comunitário, promovendo a interação e troca entre os moradores. Vale ressaltar também, que hoje as mulheres estão à frente e são responsáveis por grande parte dos movimentos que enxergam a situação do mundo e propõe novas alternativas.

Uma pesquisa da Universidade de Yale apontou que as mulheres possuem maior consciência e envolvimento com a preservação do meio ambiente, estando mais cientes dos riscos da emergência climática que vivemos. Isso significa que as probabilidades das mulheres desenvolverem negócios que estejam alinhados ao princípio de sustentabilidade são maiores. A Studio Pipoca é mais uma marca nesse movimento de mulheres que apostam no próprio negócio e desejam transformar o mundo – nem que seja um pouquinho – através dele.

E você? Tem um negócio seu ou o desejo de empreender? Conta pra gente nos comentários!

Vamos Juntas!

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